As relações internacionais do PCP.<br>O PCP e o movimento comunista<br>e revolucionário internacional

Pedro Guerreiro (Membro do Secretariado do Comité Central)

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É com enorme satisfação que acolhemos no nosso Congresso 62 delegações de partidos comunistas e de outras forças progressistas e revolucionárias, de movimentos de libertação nacional, de partidos aos quais nos unem profundos laços históricos, que nos trazem a resistência, a luta e as conquistas dos seus povos.

A todos agradecemos a sua presença solidária, desejando os melhores êxitos nas suas tarefas em prol da realização dos direitos e aspirações dos seus povos, e que levem do XX Congresso do PCP o pulsar da luta dos comunistas, dos trabalhadores e do povo português, a certeza da firme e fraterna solidariedade dos comunistas portugueses.

A agudização da luta de classes que resulta do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e da violenta ofensiva do imperialismo evidencia ainda mais a necessidade do fortalecimento, da unidade e do incremento da capacidade de acção do movimento comunista e revolucionário internacional – a expressão mais avançada do internacionalismo proletário.

Um objectivo que, na opinião do PCP, passa pelo reforço da ligação às massas e à realidade nacional, pela capacidade de definição do programa e tarefas, por parte de cada partido comunista ou outra força revolucionária, assim como pela sua cooperação e solidariedade internacionalistas.

Observando consagrados princípios de relacionamento entre partidos comunistas, o PCP empenha-se no debate e na unidade na acção entre os partidos comunistas, como acontece no processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), que tem contribuído para um melhor conhecimento mútuo e a adopção de um conjunto de linhas para a acção comum ou convergente.

No entanto, como a história demonstra, prejudicam o movimento comunista tanto o desenvolvimento de tendências liquidacionistas e social-democratizantes, como de concepções e práticas dogmáticas e sectárias, que não só não contribuem para o reforço do movimento comunista e para a unidade na acção dos comunistas, como introduzem novos factores de divisão, afastamento e incompreensão que dificultam os necessários avanços na sua solidariedade internacionalista e com outras forças progressistas.

Tendo presente que os partidos comunistas e outras forças revolucionárias têm trajectórias, experiências e enraizamento social diferenciados, lutam em condições diversas, se encontram em diferentes etapas da luta pelo socialismo e enfrentam diferentes tarefas imediatas, para o PCP, naturais diferenças de opinião e, mesmo, divergências que se manifestem não devem impedir a acção comum ou convergente na luta contra o inimigo principal, na luta de emancipação dos trabalhadores e dos povos.

Ensinamentos tão mais importantes e actuais, quando a actual situação internacional coloca tão grandes e complexas exigências aos partidos comunistas e outras forças revolucionárias.

Os trabalhadores e os povos precisam de um forte e vigoroso movimento comunista e revolucionário internacional, de fortes partidos comunistas e revolucionários que promovam a luta pela conquista de direitos, pelo avanço da transformação social e da superação revolucionária do capitalismo.

O fortalecimento da convergência e da cooperação dos comunistas com outras forças patrióticas, progressistas e revolucionárias – numa ampla e conjugada frente anti-imperialista – é o caminho para travar a ofensiva do imperialismo e alcançar uma viragem na situação internacional no sentido da paz, da soberania e do progresso social.

Acção e convergência

Naturalmente, cabe aos comunistas uma grande responsabilidade na materialização de tal objectivo.

O PCP não coloca o movimento comunista e revolucionário internacional em contraposição com outras forças patrióticas e progressistas, colocando no primeiro plano da convergência e da cooperação a defesa de princípios e objectivos que são condição para avanço da luta de emancipação social e nacional.

Para o PCP, a unidade na acção em torno de objectivos concretos e imediatos com outras forças que convirjam na resistência à imposição do projecto hegemónico do imperialismo, não representa uma qualquer cedência ou abdicação do ideal e projecto revolucionários por parte dos comunistas.

A aproximação de vontades e conjugação de esforços dos comunistas – com a afirmação dos seus objectivos próprios e sem diluição da sua identidade – com outras forças que objectivamente concorrem para a contenção da ofensiva do imperialismo, antes contribuirá para a criação das condições que levem mais longe a luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos e soberania e a luta por transformações progressistas e revolucionárias.

Grave seria aceitar e pactuar com as teorizações e campanhas que procuram confundir o agressor com o agredido. Equiparar a acção agressiva dos Estados Unidos, da NATO, das grandes potências da União Europeia e seus aliados, à postura de outros países que – afirmando e defendendo a sua soberania, independência e direito ao desenvolvimento –, se posicionam, agem e articulam no plano internacional no respeito da Carta das Nações Unidas e apoiam povos e estados vítimas do bloqueio, desestabilização e agressão imperialista, aceitar tal equiparação, significaria subestimar, e mesmo branquear, os objectivos e sérios perigos da actual investida do imperialismo, assim como dividir e anular na prática parte do campo de forças que se lhe pode opor.

Desenganem-se os que pretendem que o PCP abdique da solidariedade com a luta dos trabalhadores e dos povos.

Por todo o mundo, mesmo nas condições mais difíceis, os trabalhadores e os povos resistem e lutam pelos seus direitos, pela libertação da opressão, incluindo da opressão nacional, pela conquista da liberdade, da democracia, em defesa da soberania e independência nacionais, pela justiça e progresso social, por transformações democráticas, anti-monopolistas e anti-imperialistas, pelo socialismo – resistências e lutas que, confluindo na luta contra o imperialismo, se interligam num mesmo ideal e processo universal libertador.

Partido patriótico e internacionalista, enraizado nos trabalhadores e no povo português, ligado à respectiva realidade nacional, com a sua ideologia e independência de classe, com a sua autonomia e experiência própria, o PCP continuará firme no cumprimento dos seus deveres internacionalistas.

São grandes e exigentes as tarefas com que nos confrontamos, mas é exaltante a causa por que lutamos, a causa da emancipação dos trabalhadores e dos povos.



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